sábado, 22 de outubro de 2011

Tenho seguido minha vida e sido muito feliz. Tenho me escondido atrás dessa cara de intelectual que meu óculos novo trouxe, não tenho chorado por quase nada e tenho passeado com a minha cachorra regularmente, além de estar comendo frutas e tomado bastante água. Tudo certo, tudo nos “conformê” como diria minha avó. Porém, de noite, nos dias de chuva e frio, quando a janela embaça e três blusas de lã não me aquecessem nem por um decreto, sinto sua falta. Abaixo a cabeça, suspiro fundo… e expiro você. Tanta, mas tanta falta. Falta do você que eu conheci, do você que eu pensei conhecer, do você que não existe. Nos domingos de calor, deito na rede para ler Vinicius ou Fernando, e penso em você outra vez. Ouvi dizer que você descobriu paixão pela poesia, isso é bom, mas isso é meu. Por falar em meu, existem muitas coisas minhas por aí, certo ? Minha mania de andar só na faixa branca da calçada, de subir a escada pulando um degrau, de levantar da cama com o pé direito, de admirar a beleza de São Paulo com jeito de turista, meu brinco de argola todo enferrujado. Você ficou com tudo isso por que você se deixou cativar também, lembra ? Mas tudo bem, continuo vivendo. E vivendo bem, bem feliz mesmo, descobrindo uma beleza e uma cor nova aqui e outra ali, sorrindo tanto que dá gosto. Porém, passo nos lugares por onde passávamos, vez ou outra vejo um casal onde nós ficávamos e os desejo sorte, mais sorte do que tivemos, os desejo destinos calmos e suaves, que se completem sem se colidir e deixar os sonhos irem pelos ares. Por falar em sonhos, já realizei muitos, e quando os consegui, recebi abraços, beijos, mensagens de texto, mais abraços, lágrimas, e nada de você aparecer. Pensei algumas vezes em ir na sua casa, dar carne de suborno pro seu cachorro e entrar pelo seu quintal (com cuidado para não pisar nas flores que sua mãe com muito amor cultiva) e invadir seu quarto com uma faixa enorme de “PARABÉNS”. Você iria me perguntar o motivo da parabenização e eu responderia : ” Parabéns, você foi o único que eu não consegui esquecer” e isso seria ótimo, você deveria se sentir lisonjeado, logo eu, que esqueço até meu nome nas horas de prova, coloco o controle da televisão dentro da geladeira, perco as chaves de casa … Outra coisa, também lembro de você toda seis e dez da tarde, noite, sei lá, quando passo da São Judas para a Conceição e vejo aquela parte da cidade que o resto do túnel do metrô cobre, e ao ver todas aquelas luzes daquele trânsito sem fim penso em te ligar pra dizer que já que você agora gosta de poesia, eu havia feito uma sobre isso que você iria adorar ler. Você… sempre você. Pra dizer que está tudo bem e pra dizer que está tudo ruim, você. Tirando tudo isso, tirando você, minha falta de dinheiro, você, minha saudade extrema, você, está tudo ótimo, meu bem, queria mesmo era falar sobre isso, sobre como estou bem, feliz e realizada. Vai que você está preocupado se estou bem também… Eu estou, estou em perfeito estado de conservação, tão feliz … e você, como anda sem mim ? ( Camila Archuleta )

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