sexta-feira, 8 de junho de 2012
“Estar sozinho é engraçado, louco, angustiante, libertário e triste, tal qual estar com alguém. No entanto, estar sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém. Estar sozinho é fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem uma mão para segurar. É acordar sem saber o que será do dia porque planejar sozinho dá preguiça. É falar a coisa mais engraçada do mundo para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem. É ficar louca sem cúmplice. Não tem graça ser fora da lei sozinho. É querer contar tanta coisa para alguém, mas para quem? A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo através de outra pessoa. Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto. É comer doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar salivando vida. É comer doce demais porque estar sozinho dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia. É o doce que substitui mal e amargamente o sexo. Estar sozinho é dormir até tarde no domingo. Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo não existe. É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita. Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia. É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão. Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido. Estar sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas. É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago. Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela. Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação. É cogitar enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar sozinho. E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também. Quando chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do quanto é pequeno. Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando. Estar sozinho é detestar ficar em casa. Ficar em casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão. Então você sai, só para não ficar em casa sozinho. E descobre o quanto você é sozinho. E volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos. Estar sozinho é implorar paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele não está sozinho. É trabalhar para passar o tempo e só conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração. É procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louco. É estar pronta para algo novo e não agüentar mais dias iguais. É ocupar a vida de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas. Aventuras tortas. É ocupar a vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências.
Resumindo: estar sozinho é triste, enche o saco dos outros e deve fazer mal para a saúde.”
— Tati Bernardi
segunda-feira, 4 de junho de 2012
“Eu sou sozinha, mesmo não estando sozinha. Entende o que eu quero dizer? Sou extremamente individual e me acomodo na minha solidão. Não é questão de não ter ninguém. Ter, eu tenho, mas não quero. Me sinto bem no meu silêncio. Também não é questão de ser antissocial, depressiva e mal humorada. Sou alegre, me divirto e saio com meus amigos. Mas não dependo disso, da alegria meio forçada, dessas pessoas, desses lugares, de ninguém. Sei ser só e gosto de ser só. Sei ser minha e gosto de ser minha. Essa solidão que eu falo é meio que um estado de espírito, sabe?”
— Iolanda Valentim.
domingo, 6 de maio de 2012
"Quero aproveitar enquanto jovem. Curtir a vida adoidado. Depois aquietar. Conhecer alguém que faça-me sentir especial. Me apaixonar. Quero me casar. Ter um casal de anjos. Acordar as 7:00 da manhã ao lado de quem preenche meu mundo com incontáveis cores. Quero dizer o quanto a amo. Mas não apenas dizer… Quero demonstrar de todas as maneiras possíveis, a ponto dela nunca, mas nunca, duvidar do meu amor."
quinta-feira, 3 de maio de 2012
“Não era exatamente destruído… Eu me sentia usado, sim, usado! A vida me usava sem pagar a conta, sem recompensar ou me dar chances de escolhas. Diziam-me em alto e bom tom que ela não recompensa ninguém, mas haveria de ser mentira, precisava ser, eu queria um colo ali, um abraço acolá, essas coisas que já não vinham, os cuidados que eu pedia, as necessidades que ninguém via. Mas recompensas e presentes pareciam ter ficado para outra vida. Destruído eu ainda poderia curar as feridas, colocar algodão e fechar a abertura. Usado eu não sabia me defender, reagir, esboçar um outro alguém dentro de mim, embora em mim morassem muitos outros “eus”. A vida pisou como se eu fosse o tapete de entrada, a grama para limpar o calçado ou o chão para dançar. A vida usou e eu não a usei. Destruído eu era alguém. Usado eu era… usado. Há uma sensação agora de paz, não aquela plena e de vida calma, pois a calma total me entedia, mas uma sensação de paz com a vida que, obviamente, segue me usando, mas agora viu que também posso usá-la.
Semana passada entrei num bar novo e vi uma menina de olhos claros e delicadamente pintados sorrindo sozinha na mesa do canto. A vida mal imaginava que eu também saberia dançar naquele chão.”
— Camila Costa.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Eu não sou carinhosa e gentíl, nem uma garota exemplar ou os sonhos de alguém. Sou irônica, sarcástica, teimosa, egoísta, orgulhosa, arrogante, insensível, e revoltada. Não me importo tanto com os outros, tenho maus hábitos. Além de tudo sou chata, muito chata. E não, não posso largar minhas características favoritas para agradar você. E cuide mais dos seus problemas porque o que eu faço, com quem eu ando, com quem eu fico, onde eu vou, é problema meu.
terça-feira, 17 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
“(…) Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo. Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza (…)”
— Tati Bernardi.
— Tati Bernardi.
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