quinta-feira, 3 de maio de 2012
“Não era exatamente destruído… Eu me sentia usado, sim, usado! A vida me usava sem pagar a conta, sem recompensar ou me dar chances de escolhas. Diziam-me em alto e bom tom que ela não recompensa ninguém, mas haveria de ser mentira, precisava ser, eu queria um colo ali, um abraço acolá, essas coisas que já não vinham, os cuidados que eu pedia, as necessidades que ninguém via. Mas recompensas e presentes pareciam ter ficado para outra vida. Destruído eu ainda poderia curar as feridas, colocar algodão e fechar a abertura. Usado eu não sabia me defender, reagir, esboçar um outro alguém dentro de mim, embora em mim morassem muitos outros “eus”. A vida pisou como se eu fosse o tapete de entrada, a grama para limpar o calçado ou o chão para dançar. A vida usou e eu não a usei. Destruído eu era alguém. Usado eu era… usado. Há uma sensação agora de paz, não aquela plena e de vida calma, pois a calma total me entedia, mas uma sensação de paz com a vida que, obviamente, segue me usando, mas agora viu que também posso usá-la.
Semana passada entrei num bar novo e vi uma menina de olhos claros e delicadamente pintados sorrindo sozinha na mesa do canto. A vida mal imaginava que eu também saberia dançar naquele chão.”
— Camila Costa.
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