eu tenho sentado no chão do meu quarto pra pensar na vida. Pra pensar na morte, na verdade. Com minha pouca idade, beleza e inteligência, concluí que não nasci para viver. É irônico o destino, mas nunca aprendi a levantar dos meus tombos, e nunca tive apoio. Amei sempre quem não me amava, e fui a que mais amou. E que por amar constantemente, esperei por coisas que nunca chegaram, e espero por elas até hoje. E sei que, apesar de saber que amor nunca foi sinônimo de reciprocidade, não consegui aplicar esse conceito à minha vida. (Quem se importa?) Palavras que nunca foram ditas à mim, sentimentos que nunca pude provar. A luz que nunca iluminou a janela do meu quarto, e o cheiro que nunca me fez lembrar nada, nem ninguém. E hoje eu me resumo a um poema de versos vazios. E por ser assim, um monte de nada, decidi que não precisaria mais olhar o futuro com olhos de esperança, porque na verdade, não haveria um futuro tão distante pra mim. Sempre senti diferente dos outros qualquer tipo de coisa, mas isso também não me impediu de ser feliz em algum momento. Sinto falta das coisas raras, sinto falta do que nunca tive, de quem nunca conheci. Sinto falta daquele sorriso gentil no final do dia, do vento no meu cabelo quando sentava na varanda de casa, dos poucos dias em que eu me permitia conversar demoradamente com alguém
( Livro ' Carta de uma Suicida)
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