quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Na Terra do Coração

Nave, ninho, poço, mata, luz, abismo, plástico, metal, espinho, gota, pedra, lata.


Passei o dia pensando – coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só som-cor, ação – repetido, invertido – ação, cor – sem sentido – couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E, como quem gira um caleidoscópio, vi:
Meu coração é um sapa rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.
Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traças, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.
Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável.
Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.
Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.
Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.
Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.
Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças nas janelas, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.
Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.
Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.
Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores e saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas e macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublimou um verso de Sylvia Plath: “I’m too pure for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.
Meu coração é um filme noir, projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
Meu coração é um deserto nuclear, varrido por ventos radioativos.
Meu coração é um cálice de cristal puríssimo, transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos; ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.
Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.
Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.
Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheio de gemidos – Ai de mim! Ai, ai de mim!
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.
Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa de Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando para a lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração teu.

Caio Fernando Abreu

Hoje eu tô mesmo

querendo desabafa nisso aqui,que bosta porque vendo todas as pessoas feliz eu não consigo está e eu sempre fui desse jeito sempre dando um sorriso e ficando muito feliz com a felicidade dos outros, hoje to com tanta vontade de chorar que dar vontade de me jogar na cama colocar o travesseiro na cara e começar a chorar,hoje tá sendo um dia dificio não sei porque parece que to sozinha tudo me stressa brigo com todo mundo, to com uma angustia dentro de mim que não consigo explicar a vontade de sumir e sei que de verdade tenho pessoas que sempre vão está ao meu lado pessoas que sabe de verdade que gosto deles. Acho que depois disso vou me sentir melhor. ou não. --'  

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Não sei, não me interrompa

 agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Amor/vício/lembranças

É bem complicado falar de amor. Demonstrar aqui, sentimentos vazios, decepções amorosas ou relacionamentos que não deram certo, soa fácil, porque é o que normalmente as pessoas esperam que aconteça, ou acreditam que é esse o destino: o amor ser uma DROGA. E porque o amor não pode nos causar aquela sensação extremamente boa ? Aonde você viaja, parece que para o espaço, procurando explicações cabíveis para você estar tão envolvida e apaixonada por alguém, aquela sensação de excitação quando você escuta a voz rouca dele dizer que te quer, aquela sensação de risos profundos quando você o tem quando precisa, esse vício incontrolável que é tão maravilhosamente bom de ser sentido. O vício pela boca dela, sem ao menos ter beijado, o vício pelo toque dele sobre teu corpo, seu ao menos ter sentido nenhuma proximidade, esse é o vicio mais perfeito que eu já pude sentir, é a sensação mais arrebatadora que um ser humano -mesmo não assumindo- deseja sentir.
Existe o depois, existe talvez a dor da perda, mas pense em quando você ganhou, pense nos momentos vividos, sorrisos trocados, choros consolados, e era ele que estava ali, e era dele que você precisava, de mais ninguém. Pense no quanto ele também te amou, e pense, que quando ele disse que te odiava, na verdade, ele SE odiava por TE AMAR TANTO ! Enquanto viviam o calor da paixão, um era fiel ao sentimento do outro, ao toque do outro, ao amor do outro, um queria tanto o outro e era isso que os mantinham, pense NESSES momentos, pense no quanto foi bom e no quanto aproveitou com cada pedaço de intensidade cabível dentro da tua alma.
Talvez seja simplesmente um desabafo, mas talvez, seja simplesmente a realidade, guardada dentro do coração de cada garota que viu o fim como o fim da vida, mas no fundo, sabe que na verdade, os momentos que teve com eles, foi a luz para seguir.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nunca vi,

 mas sinto sua presença
 Nunca abracei, e sinto cheiro
 Nunca beijei, e guardo seu sabor

 Amo, sem ser amante Vivo, sem tê-la(O) a meu lado

 Sou príncipe, sem princesa
 Sou Rei, sem um castelo

 No teclado escrevo meus sentimentos
 No enter transmito meu coração
 Na mente arquivo seu semblante
 No coração guardo todo meu carinho,

  Para lhe dar um dia
  
Além do virtual...



 T.C    (L

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"Há momentos...

 na vida que nos deparamos com encruzilhadas, com medo, confusos, sem um mapa.
As escolhas que fazemos nesses momentos podem definir o resto dos nossos dias.
Claro que quando nos deparamos com o desconhecido, muitos preferem fazer a volta e retornar.
Mas de vez em quando as pessoas avançam para uma coisa melhor, uma coisa encontrada além da dor de ficar sozinho.
E só com bravura e coragem, conseguimos abrir nosso mundo a alguém. Ou dar a alguém uma segunda chance, alguma coisa além da persistência silenciosa de um sonho.
Somente quando você é testado é que realmente descobre quem você é.
E somente quando você é testado é que descobre quem você pode ser.
A pessoa que você quer ser existe, em algum lugar do outro lado do trabalho ardo, da fé e da crença."
E muito além da desilusão amorosa e do medo do que vem adiante"

One Tree Hill *-*

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um dia você vai estar sozinho,

 vai fechar os olhos e tudo estará negro.Os numeros da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para discar, sua boca vai tentar chamar alguém, mas não há alguém solidario o bastante para sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo ou acariciar seus cabelos, ate que o mundo pare de girar. Nessa fração de segundos, quando seus pés se perdem no chão, você vai se lembrar da minha ternura e do meu jeito infantil. Virão súbitas memorias gostosas dos meus abraços e beijos, da minha preocupação com você e só vão ter algumas músicas repetindo no seu radio: as nossas.
Em um novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho delicioso de novo, o nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre.
E quando você discar meu numero ela estará ocupado demais ou nem será mas o mesmo, ou ate mesmo eu nem queira mas te atender. E se você bater na minha porta, ela estará muito trancada, e se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lagrimas, aquelas que eu disse que ardiam tanto, o nome do enjoo que você vai sentir se chama arrependimento, a falta de fome que virá chama-se tristeza. Então quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar com os meus olhos encantados você encontrará a fomasa solidão. A partir dai o que acontecerá chama-se surpresa. E provavelmente o remédio para todas essas sensações acima.. é o tal do tempo em que você tanto falava.