quarta-feira, 28 de março de 2012

“Quebrou-se. Eu senti tuas palavras me perfurarem tal qual fazem mil adagas. Eu vi meu amor morrer entre os estilhaços dos teus olhos amendoados. Os mesmos que por tanto tempo foram meu precipício e minha fuga. Que foram meus, só meus. Diacho, como sinto sua falta. Ainda não concebi a verdade que se desenrola em minha frente. Cruel, eminente; é incontestável mas eu não aceito. Cruzar meus braços diante ao teu desengano seria o mesmo que sorrir pro meu próprio fim. Eu abro o peito e caio nos braços da dor se ela te fizer ficar, menina. Não faz assim, não te afasta. Não de mim que me desfiz do meu próprio mundo pra viver no teu. Não de mim que me afoguei nas tuas lágrimas e abracei teu desespero. E fechei os olhos pras tuas mentiras, e me fiz prisioneiro do teu sorriso que em verdade nunca me pertenceu. Não faz assim, não fecha as portas, não me deixe aqui. Foi só junto a ti que eu pude entender a fascinação dos homens pela lua. Eu nunca soube o quão morto eu estava antes de ter lhe conhecido. Tu me trouxeste vida, mas o fizeste por quê? Pra que me fizeste sentir se no final irias destroçar-me? É tão difícil ver que eu não tenho pra onde seguir e ter a certeza de que o seu caminho será trilhado com ou sem mim. Tu não és flor, menina. És erva daninha. Suga o que te faz bem e não cria raízes em lugar algum. E agora, que nada tenho a oferecer-te, sei que tu me darás as costas antes do findar da noite. Tu te vais, e sem saber que carregas minha vida entre as tuas mãos.”
Lilian Alves.

sábado, 10 de março de 2012

Ah, o tempo! É, o tempo... O que não faz com as pessoas?
Afasta, une, ilude, desilude, te faz encarar a verdade, te faz desvendar mentiras, te faz reconhecer as pessoas como elas realmente são, te faz enxergar a realidade, te faz ver os erros que cometeu, e te dá, finalmente, oportunidade para corrigí-los. Ou não. Mas e quando você perde essa oportunidade? Bom, existe um certo trecho clichê, que diz exatamente sobre isso: "Há três coisas na vida que não voltam atrás: a flecha lançada, o tempo desperdiçado, e a oportunidade perdida." Com certeza você já o ouviu. E é a mais pura verdade.
Já o fiz várias vezes, mas quem nunca o fez? Perder oportunidades.. Bom, ser calculista ao extremo também tem suas [muitas] desvantagens. Mas o que podemos fazer, né? Faz parte da vida. E quem nunca o fez, que atire a primeira pedra.
Mas tem outra coisa que descobri também.. o tempo não cura nada, nada mesmo. Só tira o incurável do centro das atenções. Já havia lido isso em algum lugar, mas no momento pareceu meio incerto. Hoje, percebo que não tem nada de incerto nessa frase. É um fato. E se tu duvidas, um dia terás tua própria conclusão.

- Gabriela Sayour

segunda-feira, 5 de março de 2012

“Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti. Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso “I don’t care”. Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, não quero mais nada. De verdade. Não vejo o que é feio e o que é bonito. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.”
Tati Bernardi

sábado, 3 de março de 2012

“Esquece. Não vou atrás de ninguém. Não mais. Ontem eu quis desesperadamente a sua companhia lá naquele banco da praça, quis ficar ali com você a noite toda se pudesse. E quando fui embora pensei em te ligar, dizer pra voltar amanhã, vir me fazer sorrir. Mas não. Hoje eu acordei e pensei que seria melhor não, eu não quero me apegar em ninguém, não quero precisar de ninguém. Quero seguir livre, entende? Mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho. Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez enquando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim.”

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 2 de março de 2012

Eu juro que tentei fazer parte dessa tribo que não trabalha com sentimentos, que sai pelas noites curtindo a vida e sendo supostamente feliz. Só que me irrita essa gente que precisa de um litro de vodka pra dizer verdades, pra sorrir. Me incomoda essa felicidade engarrafada, esses sentimentos abafados, esses sorrisos forçados. Nem sempre eu tô feliz, mas sempre que tô sorrindo, é sincero, e é isso o que importa. Sou do tipo que não precisa provar nada pra ninguém, já que no fim das contas, só eu posso me fazer feliz. Sentir menos como precaução é válido, mas querer convencer o mundo e a si mesmo que não sente nada, é tolice. Se meu momento é de ficar no quarto, chorando e me recuperando, não vou pra balada tirar foto feliz. Não atropelo meu tempo, pra não morrer atropelada. Por mim tudo bem, você pode diminuir mais o vestido, aumentar o decote e comprar outro batom vermelho. Mas e por dentro, seu coração tá de salto também?

Marcella Fernanda